segunda-feira, 11 de abril de 2011

A gravata

Um dia a hora chegou. Acordei de pé, lâmina em mãos e cara suja. De espuma de barbear. Era quarta-feira. Não, não era segunda, mas quarta. Segunda eu tinha sono demais para acordar. Foi quarta. Estava me barbeando pela terceira vez na semana. E era só quarta-feira. Batia meu recorde de barbeadas ou barberagens em uma semana, em dias consecutivos e em qualquer outro recorde que eu já tive sobre barbear-me.
E, de lâmina em punho, ia me rasgando a pele, ou pêlos da pele e também um pouquinho a mais de pele. E esperava acabar logo, pois ainda tinha que botar o terno e gastar cinco minutos fazendo, refazendo e redescobrindo o nó da gravata. Gravata. Gravata, para quem não leu direito. E terno. Então eu ia para a faculdade e depois para o estágio. E chegaria em casa mais de doze horas depois, cansado e pronto para comer e dormir. Gravata.
Sim, vendi-me, me vendi, vendi minha alma ou minha cabeça outrora rebelde, o que dá no mesmo. Todos surpresos me olham e perguntam, mas vc que jurou que nada te enforcaria?? Eu respondo que cresci. Puxados pela forca, todos crescemos.

1 comentários:

Anônimo disse...

http://www.youtube.com/watch?v=rWCaqvsV2J0&feature=player_embedded